Blog para pessoas e educadores apaixonados por livros!
Possui como objetivo principal o compartilhamento de livros como apreciação estética e desenvolvimento do sensível, sempre preocupados em estimular o hábito da leitura e a análise crítica articulada na fomentação da mesma no ambiente educacional. Aqui você confere as principais atividades, fique à vontade para me escrever também. Adoraria compartilhar vivências de quem tem amor aos livros!
"O que mais favorece o
desenvolvimento estético é a exposição, a frequência à arte". (NEITZEL,
p. 96-97).
Oi gente, tudo bem como vocês? Bora sacudir a poeira por essas bandas
com uma notícia boa! Espia só...
Na última quinta-feira, levei a
turma do quinto ano do ensino fundamental para visitar a Biblioteca Pública de Itajaí "Norberto Cândido Silveira
Júnior". Com o objetivo de formação estética e intercâmbio cultural,
participamos de diversas atividades no local e em seu entorno. Fomos muito tão
bem recebidos e acomodados que deu gosto! Desde o início nos colocaram no
auditório para apreciarmos “Contações de histórias” promovidas pela equipe de
artistas/professores da instituição. Na sequência, assistimos a documentários e
palestras que nos contaram não só a história da formação da biblioteca, como
também da cidade e região, muito importante para nos entendermos enquanto
cidadãos do Vale do Itajaí - SC.
Depois tivemos o momento da “Roda de
Leitura Monitorada” com a deliciosa surpresa de “Tablets” para podermos entrar em contato com o E-book (livro digital), além de termos como auxílio um profissional
qualificado nos instruindo sobre este e outros assuntos.
Logo após, fizemos um passeio monitorado por
toda a biblioteca, vimos os livros, fomos apresentados ao sistema de pesquisa e
cadastramento digital e também conhecemos os “bastidores” ao adentrarmos no
setor administrativo do ambiente. Fiquei muito feliz quando os alunos chamaram-me para conhecer a seção de minha escritora favorita: Clarice Lispector! (Mesmo
eles não tendo lido nenhuma obra dela ainda, eles perceberam pela falas amorosas que
solto dessa amada escritora e vieram correndo me contar!). Depois, conhecemos
a equipe que organiza a entrada, coleta, demarcação, restauração e avaliação
dos livros e, além de tudo, tivemos a oportunidade de dialogarmos e aprender
muito com uma pessoa formada em biblioteconomia. Em meio a tantas obras
maravilhosas, o jeito foi separarmos um tempo para mais leituras, dessa vez
entre os livros físicos (inclusive em braille!). Por fim, visitamos a parte central da Prefeitura de Itajaí para apreciarmos
uma exposição de artes visuais de outras escolas ali expostas. Voltamos para a
escola com um “gostinho de quero mais”, pois existiam tantas coisas para
experienciarmos que mal vimos o tempo passar, mas com certeza de que essas
atividades permanecerão em nossas memórias, principalmente estimulando o prazer
da leitura.
Agora, as fotos... porque bons
momentos precisam de registro! ♥
A partida...
Contação de histórias.
Contação de histórias, adoramos!
Roda de leitura monitorada com E-books!
Contação de histórias...
Conhecendo obras em "braille".
Pose para a foto!
Instruindo para a funcionalidade do Tablet.
Foto com a Bibliotecária!
Meninas apreciando as artes dos outros alunos...
Apreciando as obras das outras escolas!
Mediando a observação e levantando expressões dos alunos...
Por fim, tiramos uma foto no mural que fica na frente da biblioteca!
A
representação do alimento parece-me apropriada para costurar certos pontos das
analogias sendo que comemos também da leitura: devoramos livros quando estamos
com fome, salivamos ao contato de uma cena. Na malha de emoções e lembranças
sensoriais da infância que nunca nos abandona é que recordamos algumas dessas
representações alimentares como componentes de muitas narrativas já
incorporadas no inconsciente coletivo: a cesta que a Chapeuzinho Vermelho (azul,
cor-de-abóbora, amarelo...) leva para sua vovó, os feijões mágicos em João e o pé de feijão ou ainda o mingau
em Cachinhos dourados e os três ursos.
Percebido isto, partimos do pressuposto de COSSON (2011, p. 40) cujo pensamento
afirma que “aprender a ler é mais do que adquirir uma habilidade, e ser leitor
vai além de possuir um hábito ou atividade regular” para experienciar práticas
de leituras mediadas nas relações humanas em torno de um dos espaços mais
afetivos que há: a mesa. Surgiu aí a promoção de um “Chá literário” com as turmas do maternal e nível I e "Conversas Doces" com o nível II e o primeiro ano do ensino fundamental.
Anteriormente
selecionei duas obras para contação: “Menina
bonita do laço de fita” de Ana Maria Machado com ilustrações de Claudius e “Os três lobinhos e o porco mau” de
Eugene Trivizas com ilustrações de Helen Oxenbury. A primeira obra, conta a
história de um coelho branco que sonhava em ter uma filha pretinha, assim
acompanhamos suas aventuras e peripécias com a menina para descobrir o segredo
para o sucesso dessa empreitada. A segunda obra, inverte os sabidos papéis do
lobo mau e dos porquinhos, satirizando elementos atuais para reinventar a
história.
Foto: Detalhe das capas dos livros.
Familiarizado
com as narrativas, apresentei e efetuei a leitura com observações das
ilustrações para as crianças. No segundo momento os convidei para um chá
literário com Os três lobinhos e o porco mau (ensino infantil) e para conversas
doces o primeiro ano do ensino fundamental ao lado da Menina bonita do laço de
fita. Pretexto para compartilharmos impressões de leitura, interpretação de
mundo, manifestações de opiniões e partilharmos dos dois tipos de alimento em
mesa: o físico, a comida propriamente dita e o espiritual, a literatura (no
caso, aqui a digestão). Mas que tipo de alimento ofertar? Bem, na história dos três
lobinhos o chá e frutas são adorados pelo trio (depois pelo porco redimido) e
posteriormente por nós (rsrs). Na história da Ana Maria, o coelhinho toma muito
café e come muita jabuticaba... mas infelizmente o excesso não o fez nada bem.
Por isso decidimos fazer algo mais doce e tradicional brasileiro: o brigadeiro!
Foto: No detalhe eu e a profe Ane com as crianças. Fonte: Pessoal.
Foto: 1. Com a profe Roberta fazendo o brigadeiro. 2. Flagra da Morgana admirando os copinhos sendo recheados de brigadeiro! rsrs Fonte: pessoal.
Foto: Com a professora Débora e a turminha do Nível II! Fonte: Pessoal.
Foto: Posando para a foto depois do Chá literário com a professora Lassara e a turminha do nível I. Fonte: Pessoal.
O comer é um ritual mágico. Comer é o impulso mais
primitivo do corpo. Preparamos os chás de flores e cortamos as frutas
(vermelhas) com as crianças. Sentimos o cheiro de a flor brotar na água (rosas?
camélias? cravos?), provamos o doce gosto do morango, da maça... Com leite
condensado também pode!!! Delícia. Todo o processo ascendendo os cinco
sentidos, no entanto sem perder nenhuma fala das crianças: “os lobinhos tinham razão”, “os lobinhos tomaram este? Eu também tomo”,
“quando eu era ‘pequenininho’ minha mãe
me dava chá também”. Nasce daí a primeira filosofia, sumo de todas as
outras: o mundo é para ser comido.
História e literatura são para serem comidas. “Sou onívoro de sentimentos, de seres, de livros, de acontecimentos e
lutas”, escreveu Neruda.
As crianças acompanharam e ajudaram em todo o processo do brigadeiro
rente ao fogão. A homogeneização do leite condensado com o chocolate e a
manteiga, a apuração do ponto e a acomodação nos copinhos. Saiu um brigadeiro
quente, cheiroso e grosso. O gosto era doce, caseiro, como as receitas
tradicionais de casa. Ao final, algumas crianças repetiam que o segredo
da menina bonita do laço de fita pra ser tão pretinha e bonita (além das
“artes de sua avó”) era ter uma mãe como cozinheira de mão cheia. Depois as
crianças levaram seus brigadeiros para as famílias provarem também e
finalizamos o encontro extasiados com estas duas
artes, Literatura e Culinária.
Foto: Detalhe da cena do chá em "Alice no país das maravilhas" \o/
“Loucura? Sonho? Tudo é loucura ou sonho no
começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira, mas
tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum”(Monteiro Lobato)
As
crianças que compõem o quarto e quinto ano do Ensino Fundamental do Colégio Atlântico
receberam a obra “O pica-pau amarelo” de Monteiro Lobato. Trata-se de um
esforço e apoio de todos os profissionais educadores da instituição para com
esta ação de incentivo à leitura literária! Por meio da leitura, a criança
desenvolve a criatividade, a imaginação, adquire cultura, conhecimentos e desenvolve
o repertório: ler é um ato valioso para o nosso desenvolvimento pessoal e
profissional. É uma forma de ter acesso às informações e, com elas, buscar
melhorias para você e para o outro. Os estudos da obra de Lobato acontecem em encontros de Literatura , comigo (toda terça-feira) e de língua portuguesa
com a professora Margarida (toda quinta-feira). Ao longo dos encontros e leituras, vou atualizando as novidades aqui no blog! ;)
Confiram algumas das fotos da estrega, que contou também, com uma breve motivação para a leitura:
Detalhe da entrega das obras!
Caixa cheia de livros lindos para serem entregues.
Momento em sala de aula.
Trecho de um dos filmes do Mazzaroppi (costuras com o "Jeca Tatu", personagem clássico de Lobato).
o que eu vejo passa
através de mim
quase fica
atrás de mim
o que eu vejo
– a montanha por exemplo
banhada de sol –
me ocupa
e sou apenas
essa rude pedra iluminada
ou quase
se não fora
saber que a vejo.
[Ferreira
Gullar, Barulhos, p. 29]
Que tal uma narrativa visual, onde toda
a história é contada através de desenhos ou fotos sem nenhuma palavra? Em “O leão e o camundongo” de Jerry Pinkney, o impacto visual que as
ilustrações provocam surpreendem! Os desenhos vivos, as situações de conflito,
seu uso inteligente da página, seu desenho grandão, vão conduzindo a
acontecência pela perspectiva do olhar: é o movimento, a andança, que faz o
roteiro do visto, do percebido, do sentido, do que quer ser vivido, mexendo com
a agudeza do leitor/olhador.
Detalhe da capa e contracapa
Histórias sem texto são palavras
trocadas por traços e cores! Assim, com o auxilio imagético das crianças
efetuamos uma vivência com esta obra que ultrapassa o sentido inteligível e
ecoa no senso estético! Construímos narrativas orais belas e complexas em
grupo, a imagem explicou a palavra e a palavra reescreveu a imagem.
Nos em momento de criação das narrativas...
"Ouça-me rugir: GRRRRR!!!"
Olhem os rostinhos deles! rsrs
E é tão bom ver o belo ou descobrir o
que é bonito sem que antes se suspeitasse disso, diria Fanny Abramovich em seu livro “Literatura
infantil: gostosuras e bobices”. Esses bons livros de artes visuais são,
sobretudo, experiências do olhar, de
uma visão múltipla, pois se vê com os olhos do autor e do olhador/leitor,
“ambos enxergando o mundo e as personagens de modo diferente, conforme percebem
esse mundo” (ABRAMOVICH, 2009).
E é tão bom saborear e detectar tanta
coisa que nos cerca usando esse instrumentos nosso tão primeiro, tão revelador
de tudo: a visão. Talvez seja um jeito de não formar míopes mentais...
“Esta é uma
versão da conhecida história do ratinho que retribui a generosidade do leão
libertando-o de uma armadilha fatal. Neste livro sem texto, ela nos é contada
por meio das belíssimas imagens de Jerry Pinkey. São ilustrações de página
inteira, que impressionam por sua altivez. Cada vez que folheamos o livro,
nossos olhos captam novas cores e novos detalhes que vêm enriquecer a
história”.
Outro momento poético com todas as
turmas foi de uma obra do Caetano Veloso:
“Canto de um povo de um lugar”
(música do álbum “Jóia” de 1975). Primeiramente
distribui a letra/poema para leitura prévia e em silêncio:
Canto de Um Povo de Um
Lugar
Todo dia o sol levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia
Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde
Quando a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite
Madrugada, céu de estrelas
E a gente dorme
sonhando com elas.
Autor: Caetano Veloso
Momento Literário –
prof. Bruno
Depois efetuamos a declamação da mesma
em voz alta alternando a vez: hora menino, hora menina, outra vez em dupla,
depois em pequeno grupo, etc. Sempre respeitando o tempo e a singularidade de
cada indivíduo. Na sequência, propus que formássemos um círculo, coloquei a
música do Caetano para audição e... Cantamos juntos!
Momento de leitura individual.
O grupo em círculo, ouvindo e cantando a música.
Cantamos e na cadência do som mexíamos nosso corpo de forma leve e em grupo:
apoiamos os braços uns nos outros, tocamos as mão, movimentamos o círculo
espontaneamente. Por fim sentamos mantendo o círculo, fechamos os olhos até a
música acabar. Quando abrimos as pupilas, conferi um sorriso no rosto das
crianças: o momento foi epifânico! Acho que atingimos a arte
e essa coisa de “alcançar as veias do
impossível”...
Detalhe da gente ao final da poesia/canção.
♥
Colhi algumas palavras das crianças em
relação à ocasião: “Essa poesia e música é bonita”, “é linda como nossa
voz”, “é delicada”, “é legal porque tem os nossos dias”,etc.
Precisa de mais explicação? Ouça e sinta
a melodia: